Presidente executivo da AEERJ defende uma mudança de paradigma na Engenharia, com foco na antecipação de riscos, no planejamento integrado e no uso estratégico da tecnologia.
O presidente executivo da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ), Eng. Civ. Ícaro Moreno Júnior, ministrou, nesta quarta-feira (14), a palestra “Da Engenharia Reativa à Engenharia Estruturada de Soluções”, durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), realizada em Aracaju (SE).
A apresentação propôs uma reflexão sobre a necessidade de transformar a maneira como os profissionais planejam, desenvolvem e executam projetos de Engenharia, diante das mudanças tecnológicas, ambientais, econômicas e institucionais que impactam o setor.
Da reação à antecipação
Um dos pontos centrais da palestra foi a distinção entre a capacidade de reagir a problemas e a adoção do planejamento como método de trabalho. Segundo a abordagem apresentada por Ícaro Moreno, a Engenharia Reativa continua sendo indispensável para responder a emergências, falhas e imprevistos. O limite surge quando a reação passa a ocupar o lugar do planejamento.
Nesse contexto, o presidente executivo da AEERJ chamou atenção para um ciclo recorrente em empreendimentos: decisões sem planejamento adequado podem resultar em projetos insuficientes, problemas durante a execução, aditivos contratuais, atrasos, custos adicionais e novos conflitos.
A proposta da Engenharia Estruturada de Soluções é atuar antes que esses problemas se concretizem, por meio de diagnósticos consistentes, avaliação de alternativas, gestão de riscos e integração entre as diferentes áreas envolvidas.
Tecnologia, inteligência artificial e o papel do engenheiro
A palestra também abordou as transformações provocadas pela inteligência artificial (IA), pelo Building Information Modeling (BIM), pelos gêmeos digitais, pela automação, pela robótica e pelo uso de dados na tomada de decisões.
Na visão apresentada, essas ferramentas ampliam a capacidade de análise, simulação e planejamento, mas não eliminam a importância do julgamento técnico e da responsabilidade profissional. Cabe ao engenheiro definir problemas, formular as perguntas adequadas, avaliar riscos, integrar conhecimentos e tomar decisões fundamentadas.
A discussão também considerou desafios que vão além da transformação digital, como mudanças climáticas, transição energética, mobilidade urbana, envelhecimento da infraestrutura e exigências de governança e transparência.
Cinco pilares para uma nova abordagem
A Engenharia Estruturada de Soluções foi apresentada como uma forma de organizar o pensamento e a atuação profissional, apoiada em cinco pilares:
- Antecipação: identificar riscos, cenários e restrições antes que se transformem em problemas.
- Integração: articular conhecimentos técnicos, econômicos, jurídicos, ambientais, tecnológicos e de gestão.
- Estruturação: desenvolver um processo consistente, do diagnóstico à escolha da solução, passando pela análise de alternativas.
- Inteligência: utilizar dados, IA, BIM e simulações para ampliar a capacidade de avaliar e decidir.
- Ciclo de vida: considerar todas as etapas do ativo, da concepção e implantação à operação, manutenção e renovação.
A abordagem amplia a perspectiva sobre os empreendimentos, tratando a obra não como uma etapa isolada, mas como parte de um sistema que precisa funcionar, gerar valor, receber manutenção e se adaptar ao longo do tempo.
Engenharia e desenvolvimento do Brasil
Ao relacionar os conceitos à realidade brasileira, Ícaro Moreno destacou a importância de aprimorar a forma como recursos são transformados em projetos, obras e ativos capazes de gerar desenvolvimento. A proposta envolve avançar da análise centrada exclusivamente no menor preço para uma avaliação orientada à qualidade das soluções e dos resultados, além de fortalecer a governança preventiva e a integração do conhecimento.
Na conclusão, a apresentação sintetizou a ideia que orienta toda a reflexão: o futuro da Engenharia não depende apenas de construir melhor, mas também de pensar melhor antes de construir.
A participação do presidente executivo da AEERJ na SOEA contribui para ampliar o debate sobre os desafios da Engenharia brasileira e reforça a importância do planejamento, da inovação e da visão estratégica para a qualidade das obras e o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Material complementar: a apresentação utilizada por Ícaro Moreno durante a palestra está disponível em anexo para consulta.
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