A Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ) acompanha, nesta quinta-feira (6), a programação do Rio Innovation Week, realizando a cobertura dos principais debates sobre infraestrutura, mobilidade urbana, inovação e cidades inteligentes.
Os painéis da manhã reforçaram que o futuro das cidades passa pela integração entre tecnologia, planejamento urbano e políticas públicas capazes de tornar a mobilidade mais eficiente, sustentável e inclusiva.
Descarbonizar a cidade começa pelo transporte
Abrindo a programação, o painel “Descarbonizar a Cidade Começa pelo Transporte” reuniu Iuri Barroso de Moura, gerente de Projetos do ITDP Brasil, Letícia Lima, representante da Prefeitura de São José dos Campos, e Edvaldo da Silva Carreira, da Coppe/UFRJ, para discutir o papel da mobilidade urbana na redução das emissões de gases de efeito estufa e no enfrentamento das mudanças climáticas.
Durante o debate, Iuri Barroso de Moura destacou que uma cidade inteligente vai muito além da adoção de novas tecnologias. Segundo ele, é necessário investir em planejamento urbano, governança, uso de dados e integração entre diferentes modos de transporte para garantir qualidade de vida e ampliar o acesso da população aos serviços essenciais.
Na sequência, Letícia Lima apresentou a experiência de São José dos Campos na transição para uma mobilidade mais sustentável, mostrando como a eletrificação da frota pública vem sendo implementada por meio de novos modelos de contratação, investimentos em infraestrutura de recarga e planejamento operacional, reforçando que a inovação depende da integração entre tecnologia, gestão e políticas públicas.
Complementando o debate, Edvaldo da Silva Carreira, da Coppe/UFRJ, abordou o desenvolvimento de tecnologias voltadas à transição energética, destacando pesquisas relacionadas à eletrificação de veículos pesados e ao uso do hidrogênio como alternativa para uma mobilidade de baixa emissão.
Durante a apresentação, também foi ressaltado que o setor de transportes está entre os maiores emissores de poluentes no Brasil, tornando indispensável a adoção de sistemas mais eficientes. Nesse cenário, a eletrificação da frota representa um importante avanço, mas deve ser acompanhada do fortalecimento do transporte coletivo, da integração entre ônibus, metrôs e trens, além do incentivo aos modos ativos, como caminhada e bicicleta.




As tendências da mobilidade para a próxima década
No segundo painel da manhã, “Inovações e Tendências da Mobilidade para a Próxima Década”, especialistas discutiram como a transformação tecnológica está redefinindo o setor de transportes.
Participaram do debate Marcio Renato Alfonso, diretor de Produção da GWM, Rafael Ferraz, gerente do BNDES, e Paula Faria, CEO da Néctar.
Os palestrantes destacaram que a mobilidade do futuro será cada vez mais conectada, inteligente e integrada, com a utilização crescente de inteligência artificial, eletrificação, conectividade e análise de dados para otimizar a operação dos sistemas de transporte e melhorar a experiência dos usuários.
Também foi enfatizada a necessidade de fortalecer o transporte coletivo como eixo estruturante das cidades, promovendo maior integração entre ônibus, metrôs e trens, além de ampliar investimentos em infraestrutura sustentável. A eletrificação das frotas foi apontada como uma tendência consolidada para os próximos anos, contribuindo para a redução das emissões e para a melhoria da eficiência operacional.
Outro tema recorrente foi a importância das parcerias entre o setor público e a iniciativa privada para viabilizar projetos de mobilidade. Nesse contexto, o BNDES destacou o papel estratégico do financiamento de empreendimentos estruturantes e a necessidade de planejamento de longo prazo para ampliar a infraestrutura urbana.

Encerrando o debate, os participantes defenderam que a descarbonização da mobilidade brasileira deverá seguir um caminho próprio, combinando eletrificação, biocombustíveis, veículos híbridos e outras soluções compatíveis com a diversidade regional e a matriz energética nacional, reforçando que não existe uma tecnologia única capaz de atender às diferentes realidades do país.



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