A engenharia é um dos pilares estruturantes da sociedade moderna. Ela está na base das cidades, dos sistemas de transporte, da geração e distribuição de energia, da segurança das edificações e do enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. Mas, paradoxalmente, é justamente agora, quando estamos vivendo uma era marcada por mudanças profundas que exigem respostas concretas, rápidas, técnicas e inovadoras, que estamos assistindo a uma desvalorização progressiva da profissão de engenheiro no Brasil.
Salários defasados, reconhecimento social aquém da responsabilidade exigida e uma procura cada vez menor pelos concursos em vestibulares de engenharia, fazem parte desse processo. Muitos jovens deixam de escolher a engenharia por enxergarem nela um caminho árduo, pouco valorizado e sem perspectiva de crescimento proporcional ao esforço exigido. Isso representa não apenas uma perda para esses talentos, mas também um risco para o próprio desenvolvimento do país.
É hora de reverter esse cenário. Precisamos de políticas públicas que valorizem o profissional engenheiro, garantindo remuneração justa, condições de trabalho adequadas e reconhecimento pelo impacto que essa atuação tem na vida coletiva. Precisamos também aproximar a engenharia dos jovens, mostrando que se trata de uma profissão de futuro, essencial para o mundo que queremos construir — sustentável, justo e inteligente.
E vou acrescentar a esse meu artigo, alguns dados estatísticos que nos ajudam a despertar para esse grave problema, chamando para nós, que fazemos parte da rede da construção civil, a responsabilidade de enfrentamento e estancamento desse processo:
Desinteresse pelos cursos de engenharia:
- Em 2015, havia cerca de 358 mil estudantes matriculados em cursos de engenharia civil. Hoje, esse número caiu para 172 mil, uma redução de 51% . Essa retração se repete em quase todas as áreas: Produção, Mecânica, Eletrônica, Alimentos, Elétrica, Química. Os únicos cursos que destoam da tendência são Engenharia de Computação e Engenharia de Software, impulsionados pela transformação digital e pela demanda crescente por profissionais de tecnologia. Apufscaean.org.br.
Remuneração longe da expectativa
- Numa consulta a sites que oferecem dados salariais de contratações de empresas, tem-se que a média salarial nacional gira em torno de R$ 9 mil a R$ 10 mil/mês, com os iniciantes tendendo a ganhar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil.
O salário mínimo profissional regulamentado por lei (Lei 4.950‑A) costuma ser pouco reconhecido ou cumprido de forma eficaz, o que contribui para a sensação de desvalorização confea.org.brcreasp.org.br.
- Falta de formação e preparo
Estudos demonstram que a falta de trabalhadores qualificados é um dos grandes problemas para as empresas brasileiras. Principalmente no setor de engenharia, os profissionais precisam passar por uma educação continuada que sejam promovidas pelas próprias empresas. Principalmente nesses tempos de inovação, de uma engenharia 4.0.
Preocupada com esse cenário, e fazendo parte de sua estratégia de tornar-se um Hub de Inovação em Engenharia, a AEERJ já tem previsto em seu Plano Diretor : cursos e palestras de atualização; ampliação do leque de convênios com Universidades para obtenção de redução de mensalidades a estudantes; e intermediação entre faculdades de engenharia e suas associadas, para estágio de alunos nas empresas.
“Essa é a luta: remuneração justa, reconhecimento do valor profissional do engenheiro e criação de ofertas para uma educação continuada.” – Ícaro Moreno Presidente da AEERJ




