Lideranças analisam o pós-COP30 e apontam o futuro da construção sustentável no Brasil

Aeerj > Notícias > Eventos > Lideranças analisam o pós-COP30 e apontam o futuro da construção sustentável no Brasil

Conexão CBIC 2025: lideranças analisam o pós-COP30 e apontam o futuro da construção sustentável no Brasil

O Conexão CBIC 2025 reuniu, no segundo grande painel do evento, especialistas, autoridades e lideranças empresariais para discutir o legado da COP30 e os caminhos que a construção civil deve trilhar para acelerar a transição climática no país. Mediado pelo jornalista Daniel Ritter (CNN Brasil), o debate contou com a participação de:

  • Renato Correia, presidente da CBIC

  • Maria Emília Peres, líder de Estratégia e Sustentabilidade da Deloitte Brasil

  • Aloísio Melo, secretário nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente

  • Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul

  • Gustavo Siqueira, vice-presidente de Public Affairs da Saint-Gobain

  • Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal

O painel apresentou uma análise ampla, técnica e estratégica, conectando clima, desenvolvimento urbano, habitação, inovação, qualificação e competitividade.

O Brasil precisa inverter a curva das emissões

Abrindo o debate, Aloísio Melo apresentou um panorama claro sobre o perfil das emissões brasileiras. Ele destacou que:

  1. A maior parte das emissões do país está associada ao uso da terra e ao desmatamento.

  2. A agropecuária aparece como o segundo principal vetor.

  3. Energia, combustíveis e processos industriais representam uma proporção menor, mas crescente.

Para o setor da construção, o desafio é atuar de forma decisiva na cadeia de insumos, incorporando tecnologias mais eficientes, reduzindo desperdícios e considerando o ciclo de vida completo dos materiais. Segundo Aloísio, o país precisa perseguir simultaneamente:

  • Redução absoluta de emissões nas áreas ligadas ao uso da terra.

  • Descolamento entre crescimento econômico e emissões nos setores produtivos.

Construção sustentável como agenda de geração

O vice-presidente de Public Affairs da Saint-Gobain, Gustavo Siqueira, reforçou que a transição sustentável é o maior desafio desta geração. Ele apresentou o “Action Paper”, lançado na COP30, que reúne compromissos da empresa para incentivar a construção sustentável em escala global.

Entre os pontos destacados estão:

  • Padrões mínimos de sustentabilidade.

  • Integração da eficiência energética aos projetos.

  • Adoção de materiais com menor impacto ambiental.

  • Valorização da economia circular e da destinação correta dos resíduos.

  • Incentivo ao conforto térmico e à eficiência das edificações.

Gustavo afirmou que ainda existe um grande desafio cultural no país, onde custo e prazos frequentemente se sobrepõem ao compromisso ambiental. Para ele, essa lógica precisa mudar para que o setor avance.

Eletrificação, automação e qualificação como pilares da transição

O presidente da Schneider Electric para a América do Sul, Rafael Segrera, apresentou a visão da empresa sobre a necessidade urgente de qualificação profissional. Segundo ele, a transição energética depende diretamente de mão de obra especializada.

A Schneider formou 1,5 milhão de profissionais em energia, eletrificação e automação em seus programas globais, sendo 180 mil no Brasil. Segrera destacou que:

  • A construção moderna depende de profissionais capazes de instalar, operar e manter sistemas eficientes.

  • Automação, digitalização e eletrificação reduzem custos, prazos e emissões.

  • A falta de trabalhadores qualificados é um dos maiores gargalos do setor.

Cidades sustentáveis precisam de planejamento e articulação

A líder de Estratégia e Sustentabilidade da Deloitte, Maria Emília Peres, trouxe uma análise aprofundada sobre o papel das cidades na agenda climática. Ela afirmou que as áreas urbanas são o “campo de batalha” onde os impactos das mudanças climáticas se materializam.

Entre os dados apresentados estão:

  • Apenas 6,9% dos materiais são reutilizados no mundo; no Brasil, o índice é de 1,3%.

  • Eventos climáticos extremos causaram mais de US$ 240 bilhões em prejuízos globais em 2024.

  • 45% da população urbana brasileira vive em áreas vulneráveis.

Maria Emília reforçou a necessidade de:

  • Planejamento urbano integrado.

  • Novos modelos de negócio baseados na economia circular.

  • Fortalecimento do financiamento para cidades sustentáveis.

  • Melhoria da capacitação profissional.

  • Inovação e uso de novas tecnologias construtivas.

  • Articulação entre setor público, setor privado e universidades.

Habitação sustentável e medição da pegada de carbono

A vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, apresentou iniciativas concretas para medir e reduzir a pegada de carbono nos projetos habitacionais. Segundo ela, a Caixa está implementando:

  • Medição de emissões já na fase de concepção dos projetos.

  • Plataforma para cálculo de carbono acessível às empresas.

  • Linhas de financiamento que consideram critérios ambientais.

  • Apoio técnico a prefeituras para planejamento urbano e infraestrutura resiliente.

Inês reforçou que a habitação é a porta de entrada da sustentabilidade urbana e que a Caixa continuará atuando como agente implementador das políticas públicas relacionadas ao clima.

O papel do setor da construção na transição brasileira

Encerrando o painel, o presidente da CBIC, Renato Correia, destacou o potencial transformador da construção civil. Segundo ele:

  • A cadeia da construção tem impacto direto em habitação, saneamento, mobilidade e infraestrutura.

  • O setor é capaz de induzir tecnologia, inovação e qualificação em larga escala.

  • O Brasil precisa traduzir os compromissos globais da COP30 em ações concretas.

  • A construção civil deve liderar a transição com velocidade e responsabilidade.

Conclusão

O painel pós-COP30 do Conexão CBIC 2025 reforçou que a sustentabilidade deixou de ser tendência para se tornar uma diretriz estratégica nacional. A transição climática exige uma construção civil mais eficiente, tecnológica, circular, qualificada e integrada ao planejamento urbano.

O recado final é claro: o Brasil já dispõe de conhecimento técnico e soluções disponíveis. O desafio agora é implementar, coordenar e escalar, unindo governo, setor privado, instituições financeiras e toda a cadeia da construção civil. A construção sustentável é não apenas uma resposta à mudança do clima, mas uma oportunidade de desenvolvimento, competitividade e qualidade de vida para as próximas décadas.