Evolução e novos desafios climáticos
Em nosso primeiro artigo da série sobre Vilas Olímpicas, resgatamos a trajetória desses empreendimentos ao redor do mundo — desde as estruturas provisórias, desmontadas após os Jogos, à consolidação como parte do legado urbano das cidades-sede.
Diante do cenário de instabilidade climática, impõe-se uma questão central: essas estruturas estão sendo projetadas para enfrentar as mudanças do clima e seus impactos crescentes? Mais do que servir a um evento pontual, as Vilas Olímpicas precisam ser projetadas como infraestruturas resilientes, preparadas para responder às novas exigências ambientais e garantir segurança, funcionalidade e desempenho ao longo do tempo.
Com o aumento das emissões associadas a grandes eventos e à operação desses equipamentos, o setor esportivo tem buscado caminhos para reduzir sua pegada ambiental (indicador de sustentabilidade, onde é possível medir a quantidade de recursos naturais e serviços da Terra necessários para sustentar o estilo de vida de um indivíduo, cidade, empresa ou nação).
Fonte: Serasa Experian
Neutralidade de carbono em debate no planejamento esportivo
Segundo a Workiva, é importante diferenciar neutralidade de carbono e emissão zero líquida ao tratar de grandes empreendimentos, como a Vila Olímpica. A neutralidade de carbono permite que as emissões geradas sejam compensadas por meio de créditos ou projetos externos, em outras palavras, realizar uma ação contrária ou igual ao que foi feito, para recuperar ou preservar a natureza, compensando o que poluímos.
Já a emissão zero líquida (net zero) exige a redução substancial das emissões ao longo de toda a cadeia de valor — incluindo construção, materiais e operação, deixando uma a compensação apenas para as emissões residuais, em outras palavras, reduzir drasticamente a geração de resíduos e poluição na fonte.
Nos últimos anos, iniciativas voltadas à chamada neutralidade de carbono passaram a ganhar destaque na agenda internacional, com organizadores recorrendo a estratégias como compensações ambientais e projetos de reflorestamento para equilibrar as emissões geradas.
Fonte: Workiva
No caso, os Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing e os Jogos Asiáticos de Hangzhou, evidenciam como esse tema está sendo incorporado ao planejamento esportivo, reforçando o potencial do esporte como vitrine para ações climáticas e inovação sustentável. No entanto, o crescente uso de compensações de carbono também levanta questionamentos relevantes sobre transparência, efetividade e riscos de práticas de greenwashing (lavagem verde – estratégia enganosa de marketing).
Fonte: Dialogue Earth
Reprodução: Super Esporte
Do concreto ao clima: a engenharia moldando o futuro
A engenharia sustentável deixa de ser algo diferencial e passa a ser essencial. É necessário reduzir impactos ambientais na origem, com eficiência energética, o uso de materias implantados que são de baixo carbono, uma gestão de água eficaz e inteligente e uma visão de ciclo de vida das edificações.
Alinhadas aos princípios da ONU (Organização das Nações Unidas), especialmente a ODS 12, essas estruturas podem ir além do evento esportivo e se consolidar como referências de desenvolvimento urbano responsável.
A engenharia assume papel estratégico na criação de infraestruturas resilientes, capazes de enfrentar os desafios climáticos. Com isso, criando um legado positivo para o meio ambiente e para qualidade de vida da população, planejando com sustentabilidade.







