Engenharia e reurbanização: o novo olhar sobre a Lapa

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A engenharia como uma força silenciosa

Com esse cenário de reurbanização, a Lapa passou por mudanças significativas em sua infraestrutura, exigindo que os materiais utilizados se adequassem tanto às condições climáticas quanto à necessidade de resistência à corrosão. Por isso, em 1744, o governador da época, Gomes Freire de Andrade, conhecido como Conde de Bobadela, ordenou a reconstrução dos Arcos da Lapa. As matérias-primas utilizadas foram pedra, cal e óleo, formando uma liga de concreto resistente que garantiu maior segurança à construção. Esse composto utilizado nos Arcos da Lapa era a principal base da construção civil da época, sendo aplicado em obras como fortes, como igrejas e outras edificações que exigiam robustez e durabilidade para atender à população.

Fonte: Viva Decora

Reprodução: Wikipédia

Reprodução: Wikpédia

Em consequência desse processo, os Arcos da Lapa passaram por outras transformações com a abertura da Rua dos Arcos houve uma fusão estrutural, integrando-se em um único conjunto. Assim como outros monumentos históricos, os Arcos sofreram com a falta de preservação por parte da população que muitas vezes não reconhece a importância da conservação do patrimônio público. Em resposta a essa negligência, a engenharia mais uma vez se fez presente promovendo a instalação de novos calçamentos, iluminação pública, acessibilidade e espaços de convivência no bairro, demonstrando o impacto positivo das intervenções integradas e seu papel na construção de um ecossistema urbano mais funcional.

Com essa requalificação física, surgiram novos investimentos e os empreendedores passaram a enxergar na Lapa um grande potencial. Aproveitando esse cenário favorável, um estudo realizado pelo Sebrae em 2016 analisou a movimentação da zona portuária do Rio de Janeiro durante o período de alta temporada. A pesquisa destacou altos índices de satisfação relacionados às áreas de convivência, aos empreendimentos culturais e de lazer, além de um desempenho expressivo do setor de alimentação. Segundo o levantamento, 49,8% dos entrevistados afirmaram que há diversas opções gastronômicas, com variedade de produtos e qualidade. Esses dados reforçam o papel do turismo como impulsionador da economia local, especialmente em épocas de maior fluxo de visitantes. A engenharia foi, mais uma vez, a base silenciosa dessa transformação: calçadas niveladas, redes subterrâneas, mobiliário urbano resistente e um ambiente propício à circulação de pessoas ajudaram a construir um novo olhar sobre a região, antes marcada pela negligência.
Fonte: Percepção

Fonte do estudo: Sebrae

 

Fonte do estudo: Sebrae

Fonte do estudo: Sebrae

Esse modelo de reurbanização integrada, inspirado por experiências internacionais em cidades como Barcelona e Medellín, transformou a Lapa em referência de retrofit urbano com impacto social. A AEERJ (Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro) e suas empresas associadas vêm defendendo esse tipo de abordagem em diversas frentes de atuação.