A visão de “Lotta” para um parque aberto e integrado à cidade
A equipe que trabalhou na concepção e execução do Parque do Flamengo foi liderada por Maria Carlota Costallat de Macedo Soares e teve a colaboração de outros profissionais renomados. Entre eles, o paisagista, artista plástico e botânico Burle Marx e o arquiteto Affonso Reidy. Lotta, como era conhecida, foi a responsável por impedir a construção de quatro avenidas e de prédios à beira-mar. Em sua idealização, defendia que o parque deveria ser aberto, sem construções que ofuscassem a vista, e sem estátuas ou obstáculos que dificultassem a circulação dos pedestres. Seu sonho era que o espaço se tornasse uma área de lazer viva, integrada ao cotidiano das pessoas.
Apesar de não ter formação acadêmica em arquitetura, Lotta contou com a boa condição econômica de sua família, que lhe proporcionou a oportunidade de realizar diversos cursos em Nova Iorque. Essa base de estudos, somada à sua paixão pela arquitetura e à sua grande ambição, foi fator decisivo para que ela se consolidasse como um dos maiores nomes da arquitetura brasileira.
Fonte: Revista Casa e Jardim

Reprodução: UOL
A ousadia da roda-gigante e os limites impostos pelo tombamento
Quando trabalhamos em grupo ou lidamos com a diferença de outras pessoas, isso pode gerar desafios. E não foi diferente com a equipe de Lota, vista como uma figura autoritária, geradora de conflitos. Mas o temperamento forte jamais afetou seu processo criativo, marcado por ousadia, originalidade e talento único. Inspirada em uma viagem a Viena, teve a ideia de criar uma grande roda-gigante no parque, algo que funcionaria como um grande brinquedo ao ar livre e que reforçaria o caráter de lazer do espaço, mas não chegou a concluir esse projeto.
Fonte: O Globo

Reprodução: Rio Memórias
Um espaço vivo: o legado de Lota segundo Fernando Nascimento
Em uma entrevista concedida à Globo, Fernando Nascimento, diretor de operações e um dos fundadores do Instituto Lotta, declarou: ‘’Lota ficaria triste se voltasse hoje, ela queria um espaço vivo, não apenas contemplativo”. Sua ideia era fazer um parque onde as famílias pudessem passar o dia inteiro. Não à toa foi o primeiro parque público a ter banheiros .
Fonte: O Globo
Pertencimento, lazer e a importância da preservação do parque
Graças à persistência, determinação e visão de Lotta, aliada ao trabalho incansável e a inteligência de sua equipe multidisciplinar, temos hoje o parque que conhecemos. Em teoria não é o parque dos sonhos como vista pelos seus criadores e idealizadores, mas sem dúvida é um espaço que se tornou um verdadeiro patrimônio afetivo da cidade, rompendo com o modelo de parque tradicional. Atualmente, é um local de pertencimento onde a população encontra lazer, convivência e refúgio, se reunindo aos domingos com família e amigos para desfrutar a área. Ainda assim, cabe à atual comunidade e às futuras gerações manter vivo o espírito de Lotta, lutando pela preservação e revitalização desse monumento, para que ele continue existindo por muitos anos.






