AEERJ destaca os principais debates do Conexão CBIC 2025: lideranças apontam caminhos para destravar o desenvolvimento do Brasil
A AEERJ marcou presença no Conexão CBIC 2025, reforçando seu compromisso com o diálogo institucional e a defesa do setor de engenharia no Estado do Rio de Janeiro. O evento reuniu parlamentares, economistas e lideranças empresariais para discutir temas centrais da agenda nacional — produtividade, responsabilidade fiscal, mão de obra, políticas sociais, inovação, reforma administrativa e o futuro do Estado brasileiro.
O primeiro painel, mediado pelo jornalista Daniel Ritter (CNN Brasil), teve como tema:
“Lideranças discutem caminhos para destravar o desenvolvimento do país”.
A seguir, o panorama completo do debate, com base na transcrição integral do encontro.
Renato Correia abre o painel: “O Brasil está em travessia”
O presidente da CBIC, Renato Correia, iniciou o encontro destacando que o país vive uma fase de transição importante. Apesar de avanços conjunturais, a falta de reformas estruturais impede a consolidação de um ambiente de desenvolvimento sustentável.
“Estamos em uma travessia. Precisamos de políticas bem discutidas, bem implementadas e capazes de entregar serviços de qualidade à população.”
Daniel Ritter: números positivos, mas futuro incerto
O mediador apresentou o cenário que moldaria toda a conversa:
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PIB crescendo acima das previsões nos últimos anos
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Arrecadação recorde
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Endividamento público em alta
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Reforma administrativa paralisada
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Reforma tributária com desafios de implementação
Ritter lançou a pergunta-chave:
“Há sinais de que esse crescimento é sustentável no médio prazo?”
Fernando Schüler: produtividade baixa, Estado pesado e risco de crise fiscal em 2027
O cientista político Fernando Schüler fez uma análise profunda e estruturada sobre os entraves do país.
Pontos centrais de sua fala:
1. O Brasil gasta energia em polarizações estéreis
A política nacional consome tempo em disputas que deveriam ser consensuais.
2. Vivemos um presente tolerável com futuro imprevisível
Inflação controlada, renda em alta e emprego forte — mas sem sustentação real.
3. A produtividade brasileira está estagnada
Nos últimos 40 anos, a produtividade cresceu apenas 0,6% ao ano, colocando o país na 50ª posição mundial em inovação.
“Crescimento sem produtividade não se sustenta.”
4. O Estado brasileiro perdeu o rumo fiscal
Schüler criticou a expansão do gasto parafiscal e a fragilidade do arcabouço atual.
5. A reforma administrativa é indispensável
Mas enfrenta resistências profundas de setores que, segundo ele, “não querem mudar”.
6. Estado regulador, setor privado executor
Ele citou exemplos bem-sucedidos em saneamento, aeroportos, saúde e infraestrutura:
“Não há milagre: metas claras, contratos de longo prazo e especialização. O Estado regula, o setor privado entrega.”
Senador Izalci Lucas: educação técnica, gestão pública e o desafio da mão de obra
O senador Izalci Lucas (PL/DF) trouxe uma fala contundente sobre a desconexão entre políticas públicas e resultados.
Destaques da fala:
1. Participação da sociedade na política
“Quem não gosta de política será governado por quem gosta.”
2. Ensino técnico como solução estratégica
Hoje apenas 11% dos jovens ingressam no ensino técnico no Brasil.
3. Falhas graves de gestão
Segundo ele, problemas nacionais decorrem mais de má gestão do que de falta de recursos.
4. Bolsa Família e impacto na formalização
O senador relacionou o aumento de benefícios à falta de mão de obra formal, defendendo seu projeto de lei do “desmame gradual”, com redução progressiva do benefício em cinco anos após o ingresso no mercado formal.
5. Saúde pública fragilizada
Ele ressaltou situações críticas em hospitais e a má aplicação dos recursos.
Pauderney Avelino: polarização, educação e desafios fiscais
O deputado Pauderney Avelino (UNIÃO/AM) abordou a crise de governança e a deterioração da política nacional.
Pontos principais:
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O Brasil vive uma polarização crescente que “virou a política de ponta-cabeça”.
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O Plano Nacional de Educação avança, mas a aplicação eficiente dos 5% do PIB atuais ainda não foi alcançada.
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A reforma tributária não será neutra e pode elevar a carga tributária.
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A falta de previsibilidade preocupa:
“Estamos a menos de 30 dias do início da transição tributária e os sistemas ainda não estão prontos.”
Pauderney também alertou sobre cortes de benefícios fiscais que podem prejudicar setores sensíveis como agronegócio e Zona Franca de Manaus.
Deputado Pedro Paulo: reeleição, injustiças tributárias e a urgência da reforma administrativa
O deputado Pedro Paulo (PSD/RJ) fez um dos discursos mais amplos e críticos do painel.
1. Otimismo e experiência em reformas
Relator da reforma tributária, ele lembrou os seis anos de resistência até sua aprovação.
2. A reeleição fez mal ao país
“A reeleição impediu decisões difíceis. Todos os governos ampliaram benefícios sociais mirando a própria reeleição.”
3. Reforma da renda e da previdência precisam voltar à pauta
Ele afirmou que a neutralidade da reforma tributária não deve ser confundida com carga tributária, que depende do tamanho do Estado.
4. Falta projeto de país
“A última eleição destruiu famílias e ninguém discutiu o Brasil.”
5. Reforma administrativa: ponto central do futuro
Pedro Paulo foi categórico:
“Estamos no ponto da reforma administrativa. A sociedade quer, mas os grupos de interesse atuam fortemente para tirá-la do texto.”
Citou ainda:
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Privilégios da elite do funcionalismo
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Supersalários que chegam a R$ 200 mil
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Resistência de tribunais, advocacia pública e carreiras exclusivas
6. Inovação no setor público
Ele destacou o impacto do PIX e do GovBR, defendendo a criação de núcleos de inovação com mais flexibilidade e menos amarras burocráticas.
O debate final: informalidade, emendas, liderança e modernização do Estado
Nos minutos finais, os participantes responderam às perguntas da plateia.
Emendas parlamentares
A visão unânime: o modelo atual é insustentável.
“Emendas são uma vergonha. Falta planejamento e sobram distorções.”
Informalidade
A informalidade crescente foi atribuída:
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Ao aumento dos benefícios sociais
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Ao desestímulo à carteira assinada
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Ao impacto na Previdência, que já exige nova reforma até 2030
Crise de liderança
O painel reconheceu que a sociedade vive uma crise de referências políticas capazes de construir consensos.
Reforma administrativa
Concluiu-se que ela é urgente e inevitável, mas depende:
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De pressão social
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De mobilização do setor produtivo
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De enfrentamento aos privilégios de elite
Conclusão: rumo a um país que volte a crescer
O primeiro painel do Conexão CBIC 2025 deixou claro que o Brasil enfrenta desafios estruturais que não podem mais ser adiados: produtividade estagnada, crise fiscal persistente, informalidade crescente, falta de mão de obra, distorções no Estado e grandes entraves à inovação. Apesar das divergências políticas, as lideranças presentes convergiram em um ponto essencial: o país precisa de uma agenda madura, técnica e comprometida com o desenvolvimento real — e não com ciclos eleitorais curtos ou disputas ideológicas estéreis.
Para isso, reformas estruturantes como a administrativa, o aperfeiçoamento do sistema tributário, a modernização da gestão pública, e a ampliação da participação do setor privado na execução de serviços essenciais são caminhos incontornáveis para destravar o futuro. O setor da construção civil aparece como protagonista desse processo, tanto pela sua capacidade de gerar emprego, renda e infraestrutura, quanto pela urgência de um ambiente institucional mais previsível e menos burocrático.
A mensagem final do painel foi inequívoca: o Brasil só avançará quando colocar planejamento de longo prazo, eficiência e produtividade no centro da agenda nacional. E é justamente nesse ponto que entidades como a AEERJ desempenham papel fundamental ao articular o setor produtivo, contribuir para o debate qualificado e fortalecer a defesa de políticas públicas que realmente impulsionem o desenvolvimento do país.





