A relação histórica entre a Praça XV e a água
Como vimos no primeiro artigo sobre a Praça XV de Novembro, abordamos parte de sua trajetória histórica e como esse espaço se tornou palco de acontecimentos marcantes para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Ao pensar na praça, é quase inevitável associá-la à Baía de Guanabara, justamente pela forte relação do local com o ambiente marítimo e com os sistemas de captação e distribuição de água que sustentaram o crescimento da cidade durante os períodos colonial e imperial.
Chafarizes e abastecimento no Rio colonial
Desde o século XVIII, o antigo Largo do Paço — atual Praça XV de Novembro — concentrava estruturas importantes ligadas ao abastecimento de água da cidade. Um dos principais exemplos é o Chafariz da Pirâmide, conhecido como Chafariz do Mestre Valentim, inaugurado em 1789 durante o vice-reinado de Luís de Vasconcelos e Sousa e projetado por Mestre Valentim. O chafariz abastecia tanto a população quanto às embarcações que atracavam no cais da praça, então voltado diretamente para a Baía de Guanabara.
A água vinha do sistema de captação do Rio Carioca, uma das principais fontes de abastecimento da cidade no período colonial. Esse sistema integrava uma rede hidráulica formada por aquedutos, reservatórios e chafarizes públicos distribuídos pelo Rio de Janeiro, se tornando um ponto estratégico para a distribuição de água e para a conexão entre a cidade e o porto.
Com as transformações urbanas e a modernização do abastecimento, o chafariz deixou de exercer sua função original e passou a ter valor histórico e patrimonial. Mesmo assim, ele permanece como símbolo do papel dos recursos hídricos no desenvolvimento da cidade.
Água e cidade: soluções urbanas contemporâneas
Essa relação com a água continua presente atualmente. Em 2026, a CEDAE instalou um “superbebedouro” gratuito em frente ao Paço Imperial, com capacidade para até 6 mil litros e oito bicas de atendimento simultâneo. A iniciativa atendeu trabalhadores, turistas e foliões durante o verão e o Carnaval, reforçando a permanência do acesso à água como parte da dinâmica da Praça XV.
Fonte: Diário do Rio

A importância da água no desenvolvimento urbano
A reflexão se torna ainda mais relevante no mês de março, quando é celebrado o Dia Mundial da Água, no dia 22 de março. A data convida a sociedade a refletir sobre a preservação e a gestão responsável dos recursos hídricos, reforçando que a água sempre esteve no centro da história e do desenvolvimento das cidades.
Ao longo dos séculos, a presença da água moldou o crescimento urbano do Rio de Janeiro, influenciando decisões de planejamento, infraestrutura e engenharia — como exemplifica a história da Praça XV de Novembro. Nesse contexto, a AEERJ reforça a importância da engenharia na criação de soluções que garantam o abastecimento, o saneamento e a gestão sustentável da água, contribuindo para cidades mais resilientes e preparadas para os desafios do presente e do futuro.






