No último dia 19 de março de 2026, a AEERJ esteve presente em um importante encontro promovido pelo CREA-RJ, reunindo lideranças da engenharia, especialistas e representantes de entidades para debater o futuro do setor e o desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro.
A programação da manhã foi marcada por apresentações institucionais e um painel estratégico que abordou temas centrais como inovação, infraestrutura, energia e a valorização da engenharia.
Modernização do sistema e avanço tecnológico

A abertura do evento foi conduzida por Miguel Fernández, que destacou a evolução digital da plataforma apresentada em 2025, agora melhorado o sistema e aplicativo voltados ao autoatendimento dos profissionais, o CREA-RJ avança agora para uma nova etapa: a implementação da Responsabilidade Técnica (RT) inteligente.
A proposta busca modernizar a emissão de registros, fortalecer o vínculo entre contratantes e contratados e ampliar a rastreabilidade das atividades técnicas. Segundo o presidente, a iniciativa permitirá maior controle, transparência e geração de dados estratégicos sobre o mercado de engenharia, contribuindo diretamente para o planejamento do setor.
Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro em debate

Na sequência, foi realizado o painel “Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro”, mediado pelo jornalista Sidney Rezende, que reuniu importantes nomes da engenharia e da academia:
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Francis Bogossian
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Suzana Kahn
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Celso Cunha
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Vinicius Marchese
O debate trouxe reflexões profundas sobre os desafios estruturais do Brasil e, especialmente, do Rio de Janeiro.
Engenharia como base do desenvolvimento
Em sua fala, Francis Bogossian reforçou que não há desenvolvimento sem engenharia e defendeu a união das instituições em torno de um projeto de Estado — e não de governo. Ele destacou a necessidade de retomada dos investimentos, a paralisação de obras públicas e a preocupante redução do interesse dos jovens pela profissão.
O presidente do Clube de Engenharia também chamou atenção para um dos principais entraves do setor: o modelo de contratação pelo menor preço. Segundo ele, essa prática compromete a qualidade, gera atrasos e prejudica o interesse público, defendendo o retorno do modelo baseado em técnica e preço.
Inovação e economia do conhecimento
A professora Suzana Kahn trouxe uma visão estratégica ao destacar que a forte presença do setor de óleo e gás no Rio de Janeiro pode ser uma oportunidade — e não uma limitação.
Ela ressaltou que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento impulsionam tecnologias que se desdobram em diversas áreas, como saúde, inteligência artificial, agricultura de precisão e indústria avançada. Para ela, o estado tem potencial para se consolidar como um polo da economia do conhecimento, desde que saiba aproveitar esse ecossistema.
Outro ponto importante levantado foi a necessidade de melhorar a comunicação sobre a engenharia, mostrando sua presença em múltiplos setores além das grandes obras.
Energia como vetor de crescimento
Celso Cunha destacou o papel central da energia no desenvolvimento econômico e geopolítico, ressaltando que o Rio de Janeiro possui uma vocação natural para liderar esse segmento.
Ele abordou o potencial da energia nuclear, seu impacto na geração de empregos e a necessidade de planejamento de longo prazo. Também chamou atenção para a demanda crescente por profissionais qualificados, destacando que o setor já enfrenta escassez de mão de obra e oferece remuneração acima da média.
Infraestrutura, dados e tomada de decisão
Já Vinicius Marchese trouxe uma abordagem voltada à gestão pública e ao uso de dados como ferramenta de transformação. Ele apresentou iniciativas como o índice de infraestrutura nacional, que permite avaliar o nível de desenvolvimento dos estados e orientar políticas públicas.
Marchese reforçou que o sistema profissional pode contribuir além da fiscalização, atuando diretamente no apoio à tomada de decisão estratégica.
Ele também destacou um dado preocupante: a evasão nos cursos de engenharia. Segundo ele, de cada 100 alunos que ingressam, menos da metade se forma, e uma parcela ainda menor atua na área — um sinal claro da necessidade de reformulação do ensino e maior valorização da profissão.
Desafios estruturais e caminhos para o futuro
O debate evidenciou questões críticas para o setor:
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A necessidade de planejamento de longo prazo, frente a ciclos políticos curtos
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A importância da qualidade da informação e do combate à desinformação
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A urgência de tornar a engenharia mais atrativa para os jovens
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O papel da inovação e da tecnologia como motores do desenvolvimento
Ao final, os painelistas convergiram em uma mensagem comum: é fundamental investir em conhecimento, integração entre instituições e valorização da engenharia como ferramenta de transformação social.
AEERJ presente e atuante
A presença da AEERJ reforça seu compromisso com o fortalecimento do setor de engenharia e com a construção de soluções para o desenvolvimento sustentável do Estado do Rio de Janeiro.
Ao participar ativamente de debates estratégicos como este, a Associação reafirma seu papel na articulação entre empresas, profissionais, poder público e academia, contribuindo para um ambiente mais inovador, competitivo e alinhado às demandas do futuro.




