Aeerj > Notícias > 50 ANOS > A Economia Circular no Carnaval: sustentabilidade além da Avenida

O que acontece com as fantasias depois dos desfiles?

Como vimos no artigo anterior, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí é conhecido por ser um dos palcos mais populares do mundo e sediar o desfile das escolas de samba do carnaval carioca. Todos os anos, milhares de componentes atravessam a avenida carregando diversos adereços e materiais como: plumas, tecidos e fantasias. Porém essa época passa e a reflexão que fica, como funciona o descarte correto desses eventos? Já que são muitas horas de preparação e apenas algumas horas de uso, para onde vão essas fantasias?

Durante muito tempo, grande parte desses materiais tinha como destino final o descarte. Novas iniciativas vêm transformando essa realidade e demonstrando que o Carnaval pode ir além da festa, tornando-se também um exemplo de economia circular aplicada. O conceito de economia circular propõe substituir o modelo tradicional de consumo baseado em “produzir, usar e descartar” por um sistema que busca prolongar a vida útil dos materiais, reduzir desperdícios e reinserir recursos em novos ciclos produtivos.

Justamente por estarmos falando de adereços feitos por materiais sintéticos, como poliéster, PVC e náilon, que apresentam baixa biodegradabilidade e podem permanecer por muitos anos no ambiente quando descartados de forma inadequada. 

Fonte: Brasil Mongababy

Fonte: Prefeitura do Rio

Do descarte ao reaproveitamento  

Nos últimos anos, iniciativas socioambientais passaram a atuar justamente nesse ponto da cadeia carnavalesca. Projetos voltados para a coleta e reaproveitamento de fantasias, adereços e resíduos têxteis passaram a dar uma nova destinação a materiais que anteriormente seriam enviados para aterros sanitários. O processo vai além da simples reciclagem: após a coleta, os itens passam por etapas de separação, limpeza e reaproveitamento, caminhos alternativos para que voltem ao mercado de alguma forma. 

Muitas fantasias ganham uma segunda vida ao serem utilizadas por blocos de rua, grupos culturais, produções audiovisuais, escolas de samba de outras cidades e projetos sociais. Outros materiais passam por processos de transformação e reaproveitamento criativo, conhecido como upcycling, que convertem resíduos em produtos de maior valor agregado, como bolsas, acessórios, peças artesanais e novos itens de uso cotidiano.

Além dos ganhos ambientais, esse movimento também gera impactos sociais e econômicos importantes. Oficinas e projetos de capacitação utilizam materiais reaproveitados para formação profissional e geração de renda, criando oportunidades para diferentes grupos e ampliando a circulação econômica em torno do Carnaval. Assim, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma questão de gestão de resíduos e passa a integrar uma cadeia produtiva mais ampla, capaz de unir criatividade, inclusão social e desenvolvimento econômico.

Paralelamente, outras iniciativas ligadas ao conceito de Carnaval sustentável vêm ganhando espaço, incluindo programas de coleta seletiva, redução do uso de plásticos descartáveis, incentivo à reciclagem e campanhas de conscientização ambiental realizadas durante os eventos. Essas ações reforçam que grandes eventos podem incorporar práticas mais responsáveis sem perder sua dimensão cultural e seu impacto social.

Fonte: Ciclo Vivo

Construindo um Carnaval mais sustentável  

Dessa forma, o Carnaval deixa de ser apenas uma manifestação cultural de grande impacto turístico e econômico para também se consolidar como um espaço de inovação sustentável e responsabilidade ambiental. A adoção dos princípios da economia circular demonstra que é possível conciliar tradição, criatividade e preservação ambiental, reduzindo significativamente a geração de resíduos e ampliando o ciclo de vida dos materiais utilizados nos desfiles.

Ao incentivar o reaproveitamento de fantasias, adereços e outros materiais, essas iniciativas contribuem para a redução da pressão sobre aterros sanitários, estimulam a geração de renda e fortalecem cadeias produtivas ligadas à reciclagem, ao artesanato e à economia criativa.

A AEERJ – Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro – valoriza iniciativas que promovem a economia circular, a sustentabilidade e a gestão responsável dos recursos, entendendo que grandes eventos também podem servir como exemplos de transformação social, ambiental e econômica. O incentivo a práticas sustentáveis está diretamente relacionado à construção de cidades mais inteligentes, resilientes e preparadas para os desafios do futuro. Na Revista Construir, você encontra uma matéria especial sobre esse tema tão relevante para a sociedade, abordando como a economia circular vem transformando diferentes setores e gerando impactos positivos para o meio ambiente e para a economia.

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Reprodução: Século Diário