O ano que se encerra deixa mais evidente um desafio que atravessa nossa história: a necessidade de reconstruirmos, como sociedade, um terreno comum de entendimento que sustente a governança e a soberania nacional. Não se trata apenas de superar divergências políticas, mas de construir uma base estável de cooperação capaz de orientar o país rumo ao desenvolvimento, amparado por planejamento, responsabilidade e visão de futuro.
Para que o Brasil avance, precisamos reencontrar a capacidade de pactuar. Nenhuma nação prospera quando perde tempo com disputas estéreis ou quando transforma diferenças de opinião em barreiras intransponíveis. O que se espera de nós — agentes públicos, setores produtivos, universidades, associações e cidadãos — é a maturidade de olhar para o que realmente importa: criar condições duradouras para que a infraestrutura, a indústria e a inovação possam florescer.
Esse pacto, porém, não se sustenta sem cultura cívica. Mais do que nunca, é urgente formar um ambiente intelectual e moral que fortaleça a nova geração. Um país que não cultiva consciência, conhecimento e responsabilidade social entre seus jovens fragiliza o próprio futuro. É necessário oferecer referências, valores e exemplos para que não se naturalizem a polarização, a intolerância e o improviso — males que corroem a capacidade de planejamento e paralisam o desenvolvimento.
O Brasil que queremos depende de serenidade, método e compromisso. Precisamos recuperar a confiança nos instrumentos de Estado e nas instituições que estruturam o país, devolvendo ao debate público a racionalidade que se perdeu no ruído dos últimos anos. Planejar, executar e avaliar políticas de longo prazo é o único caminho para transformar potenciais em resultados concretos e garantir que a engenharia nacional — espinha dorsal de qualquer projeto de desenvolvimento — volte a cumprir plenamente seu papel estratégico.
Ao iniciarmos um novo ciclo, renovamos a convicção de que é possível reconstruir consensos, atualizar prioridades e recolocar o país no trilho de um crescimento sustentável, inclusivo e tecnicamente responsável. Esse é o convite que deixo a todos: somarmos esforços para que 2026 seja o ano em que o entendimento prevaleça sobre o conflito, e o futuro — finalmente — ocupe o lugar das urgências improvisadas.
Desejo a todos um Natal de serenidade, encontro e reflexão, e que a esperança — esse patrimônio que nunca nos faltou — nos acompanhe firmemente no ano que chega.
Presidente Executivo da AEERJ – Engenheiro Ícaro Moreno




