O Poder da Visão Empresarial: inovação que transforma a construção civil brasileira

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O quarto painel do Conexão 2025 reuniu empresários e executivos de destaque para discutir como inovação, estratégia e industrialização estão remodelando o futuro da construção civil no Brasil. O debate trouxe perspectivas práticas de quem está na linha de frente das transformações do setor e apresentou casos reais de empresas que já operam com novos modelos produtivos, mais ágeis, sustentáveis e competitivos.

Participaram da conversa Roberto Justus (SteelCorp), Daniel Gisper (SteelCorp), Vinicius Benevides (Dimensional Engenharia) e Gustavo Siqueira (Saint-Gobain), com mediação do jornalista Daniel Rittner, da CNN Brasil.

Assista aos depoimentos dos participantes:
• Vinicius Benevides – Dimensional Engenharia: https://youtu.be/zxhDeiWmYe0
• Roberto Justus – SteelCorp: https://youtu.be/6e_vKJNtmLE 

Industrialização: o novo eixo de competitividade do setor

O debate começou com uma análise direta: a construção civil mundial mudou — e o Brasil precisa acompanhar. Roberto Justus destacou que o setor ainda opera com lógica artesanal, enquanto países como China, EUA e Europa já trabalham com obras amplamente industrializadas, rápidas e escaláveis.

Na construção tradicional, há alto consumo de água, processos manuais demorados e dependência intensa de mão de obra. No modelo industrializado, elementos construtivos são produzidos em ambiente fabril, com precisão, menos desperdício e maior previsibilidade. Para Justus, essa transformação não é tendência futura, mas uma condição essencial para competitividade, produtividade e entrega em larga escala.

Inovação com impacto social: o case Dimensional Engenharia

Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação de Vinicius Benevides, diretor operacional da Dimensional Engenharia, que compartilhou a experiência do projeto Comunidade do Aço, no Rio de Janeiro — hoje uma referência nacional em habitação de interesse social com alta tecnologia construtiva.

Entre os avanços apresentados:

  • Execução acelerada: replanejamento reduziu um cronograma estimado de 7–8 anos para apenas 36 meses.

  • Digitalização e BIM: projetos executivos completos, estudos de ciclo de vida e planejamento de obra integrados.

  • Certificações ambientais: primeira comunidade de baixa renda da América Latina com certificação LEED for Homes.

  • Baixas emissões: 264 kg CO₂/m² — menos da metade da média europeia.

  • Realocação dentro da própria microárea: sem expulsão de famílias do território.

Para Benevides, tecnologia construtiva é um meio, não um fim. O objetivo é entregar uma obra socialmente justa, ambientalmente correta e economicamente viável — sintetizando o papel moderno da engenharia no país.

Qualificação e mudança cultural: o desafio humano da inovação

Gustavo Siqueira, da Saint-Gobain, ressaltou que o avanço tecnológico só se sustenta quando há profissionais preparados para operá-lo. Ele destacou que o Brasil ainda enfrenta uma barreira cultural significativa em relação a sistemas industrializados, como drywall, amplamente utilizados em países desenvolvidos.

Segundo Siqueira, a inovação na construção exige:

  • formação técnica contínua;

  • mudança de percepção sobre novos materiais;

  • programas de qualificação acessíveis;

  • valorização de mão de obra especializada.

Sem isso, o país não conseguirá alcançar a produtividade necessária para competir globalmente.

Regulação: um entrave que impede a escala

Outro ponto crítico discutido foi o ambiente regulatório brasileiro, ainda desalinhado com o avanço da construção industrializada. Entre os obstáculos citados:

  • tributação contraditória entre ICMS e ISS para produtos pré-moldados;

  • códigos de obra fragmentados, que variam drasticamente entre municípios vizinhos;

  • regras diferentes dos Corpos de Bombeiros em cada estado, dificultando padronização;

  • morosidade em aprovações, que torna incompatível a velocidade da obra com os ciclos burocráticos.

A avaliação geral é que o país só destravará plenamente a industrialização quando modernizar normas e unificar exigências.

Visão de país: por que insistir no Brasil?

No encerramento, Roberto Justus trouxe uma reflexão franca sobre empreender no Brasil. Para ele, apesar dos desafios estruturais, o país segue como um dos mercados mais promissores do mundo, especialmente para empresas que apostam em tecnologia e eficiência.

Os motivos destacados incluem:

  • demanda gigantesca por habitação e infraestrutura;

  • espaço aberto para industrialização e novos modelos produtivos;

  • capacidade de adaptação e criatividade dos profissionais brasileiros;

  • potencial econômico ainda subexplorado.

Daniel Gisper reforçou que o setor vive um “oceano de oportunidades” para quem liderar a industrialização agora. Já Vinicius Benevides destacou que a construção civil é um setor que salva vidas, gera dignidade, reduz riscos urbanos e transforma territórios — motivos que justificam continuar investindo no país.

Conclusão: a virada já começou

O painel mostrou que a construção civil brasileira vive um momento decisivo. O futuro do setor passa por três pilares fundamentais:

  1. Industrialização em larga escala

  2. Tecnologia construtiva aplicada ao impacto social e ambiental

  3. Ambiente regulatório moderno, simples e coerente

Empresas que combinam esses três elementos já estão liderando a nova era da construção — mais rápida, mais sustentável e muito mais eficiente. A transformação é irreversível, e quem entender o movimento agora estará entre os protagonistas da próxima década.