Sanea Rio 2025: Gigantes do Saneamento Detalham Avanços e Desafios da Segurança Hídrica no Rio de Janeiro

Aeerj > Notícias > Eventos > Sanea Rio 2025: Gigantes do Saneamento Detalham Avanços e Desafios da Segurança Hídrica no Rio de Janeiro

O evento Sanea Rio, realizado no último dia 29 de outubro, consolidou-se como um palco central para o debate sobre o futuro do saneamento no estado. Um dos destaques foi o “Painel 1: Governança e Segurança Hídrica”, que reuniu os principais executivos das concessionárias e da companhia estatal que hoje redesenham o mapa da água e do esgoto no Rio de Janeiro.

Moderado por Renato Lima do Espirito Santo (Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção RJ – ABES-RJ), o debate traçou um panorama dos investimentos maciços, das inovações tecnológicas e dos enormes desafios sociais e ambientais enfrentados.

As Apresentações do Painel

Leonardo Soares (Iguá Rio)

Leonardo iniciou o painel focando no ambicioso projeto de R$ 250 milhões para revitalizar o Complexo Lagunar de Jacarepaguá, destacando a recuperação de manguezais e a importância do sequestro de carbono.

“Os manguezais… sequestram em média 45 vezes mais carbono do que qualquer tipo de vegetação. Isso por si só já denota a relevância extrema,” explicou Soares.

Ele denunciou o impacto do crescimento urbano desordenado, que criou “cavas de até 16 metros de profundidade”, alterando o fluxo natural. O choque de realidade veio com a descrição dos 300 toneladas de lixo sólido removidas, fazendo um apelo à responsabilidade compartilhada:

“É impressionante e apavorante a quantidade de detritos sólidos… Saneamento é sobretudo uma responsabilidade de todos e cada um de nós.”

Daniel Moura (Presidente da Zona Oeste Mais)

Daniel Moura celebrou os 13 anos da Parceria Público-Privada (APP) pioneira na Zona Oeste, que investiu mais de R$ 1,2 bilhão, elevando a cobertura de esgoto de 5% para 62% da população.

O grande destaque foi a inovação tecnológica nas ETEs Deodoro e Bangu, que trouxeram a tecnologia holandesa Nereda ao país.

“Conseguimos trazer essas duas realidades e foi pioneira nisso… O grande segredo tá na decantação do lodo quando ele vai ali dentro do reator biológico,” detalhou Moura.

Ele também ressaltou o impacto social, mencionando o projeto que leva alunos da rede pública às estações: “ter aqueles olhinhos brilhantes, ver aquele sorriso no rosto.”

Carlos Gontijo (Rio+ Saneamento)

Gontijo complementou a visão da Rio+ Saneamento, focando nas práticas de sustentabilidade e eficiência energética. Ele garantiu que a operação utiliza integralmente energia de fontes limpas e renováveis.

Gontijo ressaltou que mais de 500 toneladas de lodo são enviadas para a produção de tijolos ecológicos e destacou que o programa “Trata Óleo” já coletou mais de 900 litros de óleo de cozinha usado.

Sinval Andrade (Diretor Institucional da Águas do Rio)

Sinval Andrade concentrou sua fala no impacto social e econômico da concessão, que atende 10 milhões de pessoas. Ele enfatizou a diversidade da força de trabalho e o efeito multiplicador do saneamento:

“Eu volto a dizer, a grande coisa que a gente nota é um impacto social e econômico que essas negociações trazem, além dos da sua função natural ambiental,” afirmou.

O grande desafio, no entanto, é o combate às perdas de água, incluindo o que ele classificou como “furto industrial”:

“A gente tem aqui um enfrentamento forte a um sistema estabelecido… Essa tubulação é furada com sistema industrial… é [tecnologia] usada para furar os dutos da Petrobras.”

José Ricardo Brito (Diretor de Saneamento e Grande Operação – DSG CEDAE)

Finalizando as apresentações, José Ricardo Brito detalhou os esforços da CEDAE para blindar a segurança hídrica do estado, especialmente após as crises recentes no sistema Guandu. Ele destacou a estratégia de “barreiras múltiplas” e a certificação dos laboratórios.

A principal ação destacada foi a construção da Nova Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu, com capacidade adicional de 7.500 L/s, visando a resiliência operacional.

“Esse novo projeto vai trazer uma melhor produção… que a gente vai conseguir trazer menos impacto pra população, justamente na questão da paralisação, no momento que a gente precisa preparar todo o nosso sistema pro verão,” explicou Brito.

Um Caminho de Inovação e Diálogo

O painel do Sanea Rio deixou claro que a transformação do saneamento fluminense, embora em curso, é um processo complexo que exige a combinação de resiliência na produção (CEDAE), inovação tecnológica no tratamento (Nereda) e um senso de responsabilidade compartilhada (apelo da Rio+).

A relevância do encontro foi reforçada pela presença de líderes institucionais do setor, como Ícaro Moreno, Presidente da AEERJ (Associação de Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro) e Altamirando Moraes, Vice-Presidente da SEAERJ (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro)

Ícaro aproveitou a ocasião para encontrar-se com Marilene Ramos (Diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Grupo Águas do Brasil), uma figura de peso no setor.

Tais encontros no Sanea Rio sublinham o papel fundamental do evento como um fórum de alto nível para a governança e o futuro da infraestrutura no estado.