Escada com alma: entre cultura e design

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O artista plástico chileno Jorge Selarón vivia na região da Lapa e, cansado de ver as escadarias em péssimo estado, decidiu ele mesmo reformar os degraus. Com um balde de cimento nas mãos e dinheiro do próprio bolso, comprou os materiais e deu início ao projeto de azulejar, sozinho, os 215 degraus da escadaria. Seu sonho, como artista, era transformar aquele espaço de vulnerabilidade social — além de perigoso — em um polo colorido, vibrante e atrativo para turistas.

Fonte: Cultura Genial

Antes de iniciar esse projeto, Selarón vendia suas obras em bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Ao reformar a escadaria, instalou um ateliê ao lado dos degraus, permitindo que os visitantes acompanhassem sua criação de perto e dando maior visibilidade à sua arte. Vale lembrar que esse monumento foi construído sem nenhum tipo de apoio institucional. A escadaria vem recebendo, ao longo do tempo, doações de azulejos de diversos lugares do mundo, formando um mosaico plural, com materiais vindos de vários países.
O sonho desse artista plástico hoje é reconhecido como um dos maiores monumentos de arte do Rio de Janeiro — um espaço totalmente acessível ao público, símbolo da democratização da arte e parte importante da nossa identidade cultural.

Reprodução: Smart Rio Tour 

Lapa e engenharia: juntas na arte de se reinventar

Muitas dessas obras de requalificação da Lapa, vistas de maneira simples — como as sinalizações, o mobiliário urbano e a drenagem — são pequenas intervenções que causam um impacto socialmente positivo no espaço. Com essas obras, houve uma melhora significativa na qualidade do acesso a essas áreas.

A revitalização desse bairro foi um marco importante para o Rio de Janeiro, o clima político favoreceu o desenvolvimento cultural da cidade, sobretudo em relação a temas ligados ao espaço urbano e à preservação do Centro Histórico. Essas questões se tornaram pautas importantes durante a gestão do prefeito Israel Klabin, em 1979. O projeto foi regulamentado em 1983, e a Lapa foi contemplada nesse processo.

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Esse bairro carrega história e cultura — e a engenharia é essencial para que esse patrimônio continue existindo ao longo do tempo. Considerando que antes o local era degradado e inseguro, medidas como o alargamento das calçadas e a instalação de pisos táteis foram fundamentais. Essas melhorias permitiram a ocupação do espaço também por idosos, pessoas com deficiência, famílias com crianças e, futuramente, turistas.

Essas mudanças reconfiguraram o perfil de uso do espaço e fortaleceram a economia local, ao atrair um público mais diverso. Com essa nova infraestrutura, a engenharia coloca em prática uma cidade que pulsa: um ambiente de cultura acessível a todas as pessoas, de diferentes públicos e classe sociais. Em decorrência disso trás o resgaste dos pilares que muitas vezes são invisibilizados pelas políticas públicas, como a inclusão.

A engenharia exerce novamente seu papel essencial com essas estruturas que, além de possibilitarem o funcionamento seguro e dinâmico da cidade, consolidam a Lapa como um dos bairros mais procurados do Rio de Janeiro. Por outro lado, além de fortalecer a cultura, essas obras também geram impactos positivos no comércio local. É um lembrete de como essa cidade carrega histórias — e de que a população deve exercer seu papel na preservação, para que esse monumento continue conservado e promovendo transformações positivas em seu entorno. Vale ressaltar o papel da engenharia nessa reinvenção e como essas intervenções impactaram positivamente a vida das pessoas, especialmente em um contexto em que o turismo é valorizado e favorecido beneficiando a população até os dias de hoje.